quarta-feira, 9 de abril de 2014

Um novo olhar




Iniciei este curso com o objetivo de rever meus conceitos e práticas com relação ao corpo-mente e suas doenças, suas origens e as formas como as tratamos e encaramos em nosso dia-a-dia.
Rever o velho conceito de psicossomatização, que em nada me adiantava, enquanto contribuição para uma vida mais plena e saudável, minha e de meus consulentes.
Enquanto psicóloga clínica gestalt terapeuta, eu precisava de algo mais efetivo para uma real intervenção e melhora de meus consulentes. Precisava de um novo olhar, um método, uma técnica que me auxiliasse em uma melhor auto-percepção do corpo enquanto unidade, corpo e mente, e que me ajudasse no fortalecimento da função de ego/ato.
Como olhar para a DOENÇA? Ou melhor, como olhar para a SAÚDE?
Para minha grata surpresa percebi...
Não se trata de remediar, de focar no posteriori ou a priori, mas sim, em rever a relação com o todo de nosso corpo, mente/corpo, como algo único, fluido e interativo.
Não há um início, nem um meio, quanto mais um fim... Há apenas uma forma atenta e harmoniosa de contemplar o todo que somos e funcionamos, em prol de um eterno cuidado preventivo. Porém mudando o foco da doença para o contato sensitivo do corpo presente, atual.
Como me sinto? Me desanesteziando...
Identificando sensações, fragilidades e repetições. Entrando em contato com meu corpo o deixando se colocar enquanto foco de meu cuidado, de minha atenção. Um enamorar-me de mim mesma deixando aflorar todos os meus sentidos.
Nosso corpo é mestre em autoconstrução e adaptação. E ele nos mostra suas necessidades. Como um aparelho danificado que produz um “barulho estranho” até quebrar... Ele nos dá sinais!
Esta “Técnica” de Adriana (Nana) Schnake, ensinada neste curso, fortalece exatamente este reencontro de nossas percepções com nosso corpo atual. Possibilitando uma apropriação de nossos desejos, limites e repetições. Usando do órgão debilitado ou ausente para estabelecer o contato com a função fragilizada, esta “técnica” cria um ambiente protegido de contato entre o consulente com o próprio órgão, em interlóquio com o mesmo, de forma a permitir a emersão da função fragilizada; da apropriação do desejo infringido e/ou postergado ou do limite transgredido.
É, o corpo fala... E é preciso reaprender a ouvi-lo! Fluir com ele...
No curso, as vivências utilizadas foram de total importância para a apropriação e incorporação da eficiência desta “técnica/método”. Quero agradecer aqui pela oportunidade de me aprimorar, de descobrir minhas “batatas quentes”, de voltar a me sentir, de propiciarem a entrar em contato com meus desejos e limites e de me proporcionar este novo e tão saudável olhar sobre mim mesma...
E estou só começando ...**
Ana Cordeiro*

*Psicóloga e  Gestalt-terapeuta. Aluna do curso Corpo e Saúde-Psicologia das doenças somáticas, turma Prazer-implicante (2013).
** Trecho do trabalho de conclusão do curso.

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